Uma casa. Uma família. Várias vozes. Em Inventário das Palavras, Alice Casimiro Lopes organiza um curioso testamento narrativo: capítulos que funcionam como peças de um quebra-cabeça maior, construindo aos poucos o retrato fragmentado de uma linhagem em ruínas — suas falas cruzadas, seus silêncios herdados, suas disputas por sentido. Nada aqui é gratuito: os personagens transitam entre núcleos interligados, ocupam os mesmos cômodos, repetem certos gestos, contradizem versões. O resultado é um romance em fragmentos, em que cada parte reabre as caixas de um passado familiar e literário que insiste em permanecer aberto. Com domínio técnico e arquitetônico da linguagem, Alice manipula narradores múltiplos e tempos desalinhados para transformar as palavras em rastros de pertencimento e perda. Com os capítulos Ruínas, Um dia, um bar, Expiação, João e Maria, Carta (de uma boa filha) ao pai, Posts-poeira, Ponto cego, A mancha no teto e Todos precisam de um nome, a autora disseca os personagens da mãe, dos filhos e filhas, do genro, de quem parece nunca ter ido, todos em torno do pai que definha em uma cama. Como num inventário oficial, os textos aqui catalogam restos: do que foi vivido, do que ficou por dizer, do que continua a reverberar. O impacto está menos no que é dito do que na forma como ressoa — no leitor, na linguagem, na memória.
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Estou adorando participar desse livro homenagem a Lygia Fagundes Telles. Olha quanta gente boa está junto comigo.
Sobre Vidas sem Margens em BAs, agosto de 2023.
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Debatendo Vidas sem Margens na Caravana em BAs em.agosto de 2023. #tbt sem ser quinta
